Posts Tagged ‘Crônicas’

Postado em maio 27th, 2010

Despedindo de um amigo

Baruca
Baruca

Como é difícil me despedir de um amigo. Está doendo agora aqui no peito… Eu só consigo, no momento, me lembrar das coisas boas. Que bom isso! Da sua gargalhada alta, do gesto de colocar a mão na cabeça para dizer uma frase que para você “é óbvia!” Do olho de cachorro, do olho embriagado.

E bem mais difícil do que brigar. É bem mais difícil do que sorrir. É bem mais difícil do que aceitar. Despedir.

Eu me lembro das havaianas coloridas que vieram numa caixa de presente com um bilhete “obrigado por colorir a minha vida”. Eu me lembro de fazer quiche e você se esforçar para comer quando nem eu mesma consegui. Me lembro das garrafas de vinho derrubadas, vodkas, madrugadas. Muitas conversas na rede, no colchão da sala. Pensamentos sobre a existência, sobre os medos, as inseguranças… e como eu chorei hahahaha! Sóbria, bêbada, feliz! E como vivenciamos as insônias, os domingos, as segundas.

Você viu meu mau humor, minha tristeza, minha falta de paciência. Você me viu gargalhar, contar piadas, contar causos, dançar na sala, dançar e nem me lembrar. Você viu meus fantasmas, meu medo, minhas companhias invisíveis ou não. Conheceu minhas amigas.

Me viu trabalhando, dormindo, vomitando, de pé quebrado, cansada, disposta. Contei segredos, apontei amores. Nem sempre fácil porque o que eu ouvia daí muitas vezes doía mais do que o que eu já sentia heheheheh, mas eu insisti!

Eu não comprei elefantes nem ganhei vestidos. Eu aluguei um apartamento e ganhei um amigo. Um amigo que me fez confidente, que me fez companheira, que me fez amiga. Que vinha conversar, que ousava me ouvir mesmo tendo opiniões em muitas vezes distintas. E às vezes até concordava, rapaz!

Eu falei pra caralho. Falei mesmo. E ouvi pra caralho, ouvi mesmo. Lembrei agora do show do Alceu Valença. Você sabe dançar? Nem eu! Dança aqui rapidinho e vamos beber!! E vamos beber. E vamos beber. E vamos falar e vamos beber. Até que eu consegui uma foto sua sorrindo no Baruca; Baruca… eu me lembro do dia com preguiça de dizer BAR URCA falei: bora pro Baruca?? E ficou. Lembro também de “vamos arrumar um passeio que não tenha cerveja e nem calor”. E de sair da Lapa quando o bar estava sendo varrido. Quanto assunto!

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto… a convivência acaba com casamentos, o que fará com a amizade… o que fará com a amizade…. Um dia acordei falando grego e ouvindo alemão. Um dia ouvi russo e respondi em chinês. Um dia gritei árabe e ouvi um berro em uma língua que não entendi.

Um dia não falávamos mais.
E as garrafas secaram. As insônias foram sós. Os assuntos morreram no ar. Os assuntos, aliás, nem mais existiam. Tenho certeza que em 5 minutos de conversa português com português nos reconheceríamos imediatamente. Mas receio não seja mais possível. Não agora.
Sinto saudades e aceito. Sinto tristeza e aceito. Sinto saudades.
Saldo geral: positivo.
Obrigada irmão, amo você.
Desculpa irmão, eu sou assim e assado.
Eu aceito minhas limitações, as suas e aceito nossa despedida.
Obrigada com a alma!

18 de maio de 2010

sandalia

Postado em maio 21st, 2010

Copacabana – mudanças

Essa “crônica” eu escrevi para mim mesma em 3 de novembro de 2008. Como vou me mudar novamente, tive a necessidade de relê-la. Foi editada porque no meio tinham conteúdos não importantes por agora. Quase uma apologia a Copacabana :D segue:

Estou morando no Rio. Em Copacabana. Viver aqui é querer aproveitar os raios de sol mais do que em qualquer outro lugar onde se trabalhe. Andar por Copacabana é se esbarrar em pessoas o tempo todo. É ter 24h um supermercado aos seus pés. É desviar do mendigo que dorme na sua porta para entrar ou sair de casa, é atravessar a rua correndo, odiar as pessoas que distribuem papeizinhos de propaganda de tudo: de dentistas a sexshop. Na rua, vendem-se bolsas, sapatos, relógios, bugigangas, óculos de sol. Buzinas, ônibus, metrô. A rua amarela de táxis. Passos pelo chão. Pés, pernas, rodas, sobre pedrinhas portuguesas, calçadas largas e cheias de vida. Vitrines, luzes, cheiros, músicas. São tantas informações sobre onde ir e o que fazer que o melhor é sentar num boteco e beber. Informação sobre show, teatro, briga, tiroteio, protesto, trânsito, celebridades.

Respiro fundo o ar poluído e ele faz bem aos meus pulmões. O frio e o calor, a chuva ou o vento, são daqui. São meus, porque eu que escolhi, eu que quis, eu que pari, eu que acreditei, eu que fui atrás, eu que estou feliz no meio desse caos. O meu caos! Os caminhos são outros, os sinais de trânsitos, as prateleiras no supermercado, a distância entre o dedo do meu pé e o armário do banheiro, entre a mão e o interruptor, o tempo do elevador, o tempo do sol na janela.

Tudo novo. Novo que não tenho medo que fique velho. Sinto-me mais nova, mais leve, mais poesia. Como em toda fotografia, tudo sempre pode ficar um pouco melhor. E já está ficando. E depois um pouco “mais” melhor e assim por diante. Sempre. Eu sou inconstante, inquieta. Sou. Mas com o que “já é bom”, minha inquietude é que continue bom e melhore sempre.

Eu não quero o novo pelo novo e nem trocar por trocar. Eu não quero mais, eu não quero muito, eu não quero vários. Eu não gosto de números, eu gosto de cores. Eu quero melhor. Eu quero muito bom. Eu quero rir. Eu quero momentos, lembranças. Fotografias. Ah… andar em Copacabana te faz acreditar que tudo é possível!

Postado em março 24th, 2010

croniquinha

Sabe aquela história de relacionamento? Qualquer uma… Todo mundo tem uma história para contar, lembrar, dar opinião. Mas depois de trabalhar com tantos casamentos, não há nada mais verdadeiro do que a frase de alguns padres, pastores, que já ouvi: “Se case para fazer o outro feliz e não para ser feliz!”.

É isso. Se case para fazer o outro feliz, fique junto, namore, fique, pra fazer o outro feliz. Então funciona mais ou menos assim: se ele te faz feliz e você o faz feliz, fechou o ciclo, encaixou, pronto, fim. Mas via de mão única não funciona.

Mas não, não fique com alguém porque você quer ficar feliz. Simplesmente porque ninguém pode te fazer feliz a não ser você mesma. Só é possível se sentir feliz com o outro, se você já está feliz. Senão, imagina, o outro se vai e sua felicidade vai junto… não pode!

É claro que há uma tristeza em não ter por perto quem gostaríamos, mas jamais podemos nos esquecer que nossa ALEGRIA, nossa FELICIDADE está aqui dentro, pertinho do coração, guardada e bem quentinha, pronta para ser multiplicada e somada com a felicidade do outro!

Veja que matemática legal: você traz sua FELICIDADE, junta com a MINHA e tudo se transforma na NOSSA. E o que acontece quando uma das partes se vai?? Resta, ufa, a nossa própria felicidade. Que bom!!

Ninguém se transforma no que não é por causa de alguém. Ninguém se torna um bom fotógrafo porque recebeu um elogio. Ninguém se torna mais bonita porque recebeu uma cantada. Ninguém se torna outra pessoa por um fator externo. O que existe é enganação do ego. Ou você já sabe do seu potencial e fica feliz com o reconhecimento seja profissional ou pessoal, ou você não é ninguém sem alguém.

Casamento que emociona é quando você percebe que o casal deve sim ter seus defeitos e se amam, os dois querem somar suas felicidades e enfrentar junto os obstáculos. Eu não acredito na paixão unilateral. Aliás, tenho medo. Inclusive se eu for a parte apaixonada sozinha.

Eu sou a favor da individualidade a dois. Eu sou a favor do infinito. Da intersecção, da admiração mútua, da troca. Eu sou a favor de só ficar junto se tiver tesão, além de olhares. Eu sou a favor de papos que nunca encerrem, de conversas e risadas e choros e histórias… mas que sejam contadas a dois. Eu sou a favor de TUDO desde que seja bilateral. Desde que o coração não doa. Nem a barriga, nem parte nenhuma.

Eu sou a favor de relacionamentos que tragam PAZ e ALEGRIA.

- croniquinha boba mas eu precisava escrever.

Postado em janeiro 20th, 2010

Folha Seca

Amiga já londrina,
chego agora, 23 e pouca da noite de um barzinho furada total, abro minha caixinha de correios e vejo um envelope diferente de “conta pra pagar”. Uma carta? Uma carta! Da Lívia!!! Oba! e de dentro salta um Papai Noel cheio de purpurina, com cores e brilhos e alegria! Eu já sorrindo e saltitante abro o cartão e me olha lá de dentro uma folhinha seca, diretamente da árvore, do ar, do chão de Londres! Ela pisca seus olhos, sente o calor carioca e eu digo: Oi folhinha!!! me trouxe a alegria de Lívia?! E ela sorri de volta!

Subo no elevador lendo as palavrinhas escritas em um papel londrinho, sobre uma mesa londrina, tocadas pelas mãos da minha amiga que eu tanto sinto saudade. E já no inicio meus olhos se sentem úmidos… e depois sorridentes imaginando ela falar ” o mocinho dos correios não me deixou mandar um container” era ela! Era ela ali falando com a voz aguda, sotaque arrastado dizendo “mociiiiinho….” Era Lívia!

Eu fui chegando em casa e olhando o cartão e olhando a folhinha, pensando se ela ia gostar de estar na minha casa… mas você dizia que “encontrei essa folhinha miúda e rara, achei tua cara”. Se era miúda como eu, e minha cara como a minha, era sim, lógico, para mim!

As folhas, amiga, são como nós, vão com o vento, vivem junto às flores e tem a capacidade de, dentro de um cartão colorido e brilhante, saltar e fazer o outro sorrir!
Obrigada :)