Posts Tagged ‘Crônicas’

Postado em outubro 3rd, 2011

O bem vence o mal, espanta o temporal…

Hoje eu acordei com uma sensação igual quando eu tinha quando era criança após a noite de Natal: vários presentes espalhados pela casa. Hoje eu acordei com a certeza de que eu tinha ganho vários presentes para meu coração desde sexta-feira.

Fui trabalhar no Nordeste e já na estrada Natal-Mossoró o sertão se desvendava aos poucos, cactos, chão árido, céu de filme. Pouquíssimas árvores tortas, o cheiro do sertão, a seca. A viagem bem cansativa com mais de 3h de estrada lisa feito um tapete, reta, completamente reta sem uma curva que seja. Chão. Cactus. Chão. Reto Reto Reto. Parada para comer queijo de coalho e queijo manteiga feitos ali mesmo. E mais estrada e o sol se pondo, bilhões de estrelas aparecendo e uma lua crescente. A vegetação ia passando rapidamente pelo vidro da caminhonete do senhor que me esperou no aeroporto com a placa “Carol Pires”. Sou eu.

Foi nessa estrada que papai sofreu um acidente de moto há mais de 70 dias e estava até hoje sem poder pisar no chão. Mas vai voltar em breve. É muito chão. Os pensamentos de fato se misturavam, a alegria de estar ali e a imaginação de onde teria tudo acontecido. Até que chegamos na cidade e na porta do hotel estava ela, a noiva que tinha me contratado para fotografar o casamento dela sem nunca termos nos visto. Carla era alta com cabelos curtinhos e castanhos, olhos acesos e um sorriso de dentes perfeitos. Nos abraçamos como se já nos conhecêssemos há anos e apareceu Marcos, o noivo sertanejo, que me estalou um beijo na bochecha e os dois me fizeram sentir em casa, acolhida, querida.

E o que mais se faz no interior do Nordeste é tomar cachaça e foi aí, ele na Seleta e eu no velho e bom chopp gelado, que os presentes começaram a cair. E cada vez mais eu admiro as pessoas que tem amor no coração e brilho nos olhos!  Cada vez mais eu admiro quem olha pra frente e percebe que é chegada a hora da prova, quando a vida chega e fala: “E agora? Agora é que eu quero ver!!” Cada vez mais eu admiro pessoas que são desapegadas de coisas mas não de pessoas. Cada vez mais meus olhos brilham quando eu vejo gente que ultrapassa, que caminha, que fala bem tranquilamente sobre uma prova de fogo. Eu olho e quero ser igual e sorrio com isso! Já na mesa do boteco, antes do chopp, eu chorava com as histórias escutadas do meu mais novo amigo Marcos.

E eu admiro meu pai que soube hoje que vai poder voltar a caminhar. Reaprender, passinho por passinho, um atrás do outro que nem criança… como isso é representativo! E ele não esmoreceu, e sempre acreditou que tudo ia ficar bem. E  ficou! Acidentes são acidentes, eles acontecem a todo momento e sem avisar, por isso se chamam “acidentes”. Mas  em nenhum momento chamamos de azar. Até porque não foi! E, antes de qualquer coisa, ele está VIVO e com MUITA saúde! Desde o primeiro momento era esse o pensmento: Foi MUITO bem atendido no Hospital Público de Mossoró, foi ali que salvaram a vida dele! Serei eternamente grata a essa cidade! Depois tudo que se seguiu, deslocamento Mossoró-Natal-Recife, outra cirurgia… e tudo era uma sequência de procedimentos bem sucedidos, com excelentes médicos em Recife e com uma recuperação absurda e sem nenhum, nenhum, problema. Isso, pessoal, é sorte! É vida! É o que me leva a acreditar nas pessoas, nas superações! A cada dia uma reconquista de um novo território: o quadrado da próxima lajota do chão. E hoje, após 72 dias, quando eu volto de Mossoró, ele recebe a notícia do médico que agora sim, pode pisar no chão e dançar frevo no carnaval! É muita emoção!!

Eu admiro pessoas que contam episódios chatos, sorrindo. Eu admiro quem dá, quem faz o outro sorrir, quem tem tristezas sim, mas tem mais alegrias ainda! Eu admiro pessoas que iluminam e que te fazem sentir especial!

Eu admiro a Carla e o Marcos que depois de ex casamentos extremamente  doloridos e falidos ficaram com pavor a se casarem de novo. Mas se casaram. “Porque eu preciso mostrar para minhas filhas que eu acredito no amor” ele disse em público durante a festa. Na véspera do casamento os dois me confessaram: estamos morrendo de medo, apavorados! A gente namora há 8 anos, mas cada um na sua casa! E o que EU, que tenho SIM PÂNICO de me casar novamente, digo para um casal desses nessas horas?? :P

- Carla, querida, eu também tenho pavor de me casar novamente, mas eu não posso dizer isso pra você, né? – isso a gente já rindo – mas eu não tenho pavor do AMOR e nem da CUMPLICIDADE e mais pavor do que se casar, eu tenho de NÃO TENTAR, isso é que não pode. Casa lá que eu vou estar te incentivando, eu seguro até sua mão, depois você me conta ;)

- Carolzinha, o segredo é casar com alguém que tenha medo também, aí está resolvido!

Então tá, eu anotei no meu caderninho “Como não ter medo do que se tem medo”. E eles se casaram e a gente morreu de chorar. Quando ela LINDAMENTE adentrou de mãos dadas com a mãe – ela estava muito muito muito bonita e iluminada e meu Deus, Carla BRILHAVA -  e olhou Marcos lá na frente, caiu em prantos, alto! Eu senti aqui e chorei junto. E ele chorou e as pessoas batiam palmas e fungavam e choravam e  riam. Gente eles superaram o medo, o trauma, a decepção e foram! E se encontraram e disseram sim sob o pôr-do-sol, as estrelinhas e a lua crescente. É pra crescer mais mesmo! MUITO MAIS!Foi lindo ele dizendo “Eu te recebo Carla e D. Anita” (é Nita ou Anita?) – a mãe dela, ao que ela respondeu “Eu recebo você, Marcos, e… – citou o nome das 3 filhas dele, mais os nomes dos pais” Isso já começou bem! Isso já começou família e AMOR!

Eu bem entendo e bem compartilho desse choro de medo misturado com amor misturado com alegria misturado com É ISSO, AMOR.

EU ADMIRO PESSOAS que olham a estrada e vêem flores e não espinhos.

Um beijo com o coração em festa!

Carol :)

ps: as fotos do casório vem depois.

ps2: esse título era uma musiquinha do He-Mam, desenho que eu adorava!!

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Postado em junho 8th, 2011

Paraty para mim

Após cinco horas de estrada chegamos à Paraty! Era noite então puder ver várias lampadinhas pelas ruas que levemente iluminavam bandeirinhas suspensas no ar. Bastou isso para que eu entrasse em êxtase! Era, finalmente, São João! O carro foi entrando na cidade e apareceram barraquinhas! – Barraquinhas!!! deve ter milho quente! Deve ter coisa pra comprar! deve ter, deve ter, deve ter!!! E eu batia palmas e sorria e disse: estou tããão feliz! pega um pouquinho pra você!  – Alguém tem que ficar sério e mal humorado nesse carro, vc está feliz demais, assim não dá! – e rimos dessa declaração completamente verdadeira dentro de uma mentira, óbvio que ele também estava achando aquilo muuuito legal! Ou não… vai saber!

Não fotografei à noite, chegamos tarde, fomos comer e descansar pro trabalho do dia seguinte. Mas ao acordar… eu dei de cara com um céu tão azul que fechei os olhos sem conseguir olhar pra claridade! Fazia tempo que eu não sentia essa felicidade gratuita. Óculos escuros, chinelinho e a câmera sem zoom, era tudo o que eu carregava! Eu tenho necessidade de estar só em algum momento e eu gosto muito de fotografar só e sem propósito e sem dono da minha fotografia. Sou eu comigo mesma, o meu cigarro que eu não fumo.

E parti, Paraty. Ruelas, becos, barcos, e muitas, muitas bandeirinhas que me deixaram leve, que me lembraram um São João no meio do sertão da Paraíba muitoooss anos atrás, que me lembraram festa Junina em clubes de Brasília, pescaria, barraca do beijo, correio do Amor…

Em Paraty, bandeirinhas de pano! Isso eu não vou mais esquecer! Dia azul, pé no chão, vento frio, eu e a câmera.

Beijo!

Carol

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Postado em novembro 22nd, 2010

Pula!

Amiga linda, eu estava deitada, vencendo minha insônia, quando pensei em te escrever. E o texto foi todo se passando, frase a frase, na minha cabeça. Tenho que escrever logo isso antes que eu me esqueça.  Amanhã vou ter mil coisas a fazer e, sim, vai passar batido. Levantei, e cá estou, 2:40 da manhã.

Primeiro, quero agradecer a você por ser quem você é. Uma pessoa que sabe o que quer e não tem preguiça de viver.

Eu tenho nervoso de pessoas que não sabem o que querem! Tem gente que não sabe se quer morar nessa ou naquela cidade, aqui ou ali. Não sabem se querem ficar sozinhos ou acompanhados. Não sabem nem se amam ou não. Se ainda querem ou não uma ex alguma coisa. Não sabem nem o que não querem!

Tenho preguiça de pessoas acomodadas. Que não estão satisfeitas com o trabalho e não fazem nada diferente. Eu tenho preguiça de pessoas que arrastam relações. Tenho preguiça de gente empacada, que deixa a vida levar… só levar… eu tenho muita preguiça de gente com preguiça de vida!

Eu gosto de gente feito você, amiga! E gente como eu também.  Esse negócio de deixar a vida levar só funciona quando tomamos alguma decisão. Aí a vida leva depois para um lugar que não sabemos onde é, mas leva!

Eu gosto de gente feito você! Que é independente, que é inteligente, que é meiga, criativa, sensível e doce. Eu gosto de gente que escolhe, ou “desescolhe”. Eu gosto de gente que muda de sonho. Eu gosto de gente que constrói.

E aí você me diz: “Essa coisa de viver pode doer muito, né? Engraçado é que quem olha pensa que é fácil.” – Sim, todos pensam que tudo é fácil depois que você já fez! Depois que se entrega, que se separa, depois de mudar de cidade, de país, depois que você ganha o Oscar, nossa, que fácil! Ninguém estava perto durante a caminhada.

Pessoas que nem nós, amiga, choram rios. Desidrata! Simplesmente porque temos a consciência do bolo em que estamos envolvidas. As atitudes são tomadas com consciência! E dói! E arde! Mas, sei lá por quê, temos a mania de achar que a vida vai nos levar a um porto seguro. Não é coragem, não é força, não é garra, é simplesmente a doçura e a pueril esperança de que as coisas vão melhorar. E melhoram. Mas não foi a vida que nos levou. Nós que deixamos e fizemos com que ela nos levasse. A gente dá o norte e ela leva.

Meu deus! Quantas pessoas adiam decisões por mil motivos, os mesmos que ignoramos para tomá-las? A melhor frase que chegamos a conclusão sobre nós mesmas, veio na praia: “Não sei ser diferente”. Não sei ser meio, nem morno nem mais ou menos.

E depois de tanta preguiça com tudo, você me vem com essa frase genial, esse pensamento simples demais e tão difícil para acontecer: “Carol, tive exatamente isso que você tá falando: preguiça de gente que se enfia em roubadas tão roubadas, que não sabe pra onde ir, como ir, o que fazer. Gente que se prende nas minúcias da vida: o aluguel, a porra da tv que comprou junto, a cama, o jogo de sofá… e como não querem abrir mão de tudo isso, acabam abrindo mão de si mesmos. Por mais difícil que seja a caminhada, eu juro que não estou nesse grupo.”

Nem eu.

Nunca estivemos.

Não tivemos preguiça de fazer diferente.

MUITO OBRIGADA por existir! MUITO OBRIGADA por VIVER! Não é fácil, mas estou aqui com a mão estendida, agachada, vendo você pular de uma montanha para outra. Você não vai cair. Tem muitas mãos pra te segurar, inclusive a minha.

PULA.

Carol

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Postado em novembro 17th, 2010

crônica

Eu ainda não sei bem a função de publicar meus textos, como eu já descobri a função de publicar minha fotos. Mas ontem algumas pessoas me escreveram agradecendo algumas coisas que escrevi, coisas até bem antigas. O fato é que os textos me deixam muito nua e nem sempre me sinto confortável com essa nudez. Vai mais um:

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Eu descobri! Eu agora sei que o que eu mais temia, não acontece mais, assim, tão facilmente! Eu temia não saber voltar! Eu temia não saber deixar voar! Eu temia me perder na geleia mais uma vez. Mas isso, de fato, não acontece.

É como dirigir, andar de bicicleta, molhar os pés na água, respirar! Passa a fazer parte de você! Eu agora posso muito dizer que sei ir e voltar! E saber isso implica em entender e, principalmente, aceitar sem dor. Que difícil!

Em uma semana eu estava quase-dormindo com um sorriso enorme, daquele que parece que o coração, o fígado, riem junto! A frase era: é só aqui que eu quero estar! É só isso que eu quero agora para mim! E, uma semana depois, a frase era, internamente: vá! “Vá!”. E se foi.

Ele se foi, mas eu não!

Eu voltei, aqui pra dentro, quentinha e sabendo exatamente o caminho a andar! Sabendo exatamente o que fazer, com quem, como, onde e como me sentir. Quem se foi, foi ele e não eu. Voltar é mais difícil do que vê-lo partir e eu voltei, ainda assim, dançante.

É muito, muito, muito bom, daquele “bom” que dá vontade de abrir a boca e sorrir com todos os dentes, perceber que o meu medo de não saber voltar acabou. E não foi porque eu deixei o temor de lado, mas sim porque eu mesma VI que é possível, e, melhor ainda, sem esforço, voltar pra casa! Voltar pra mim. É ir e vir. Sim, eu fui! E só foi tranquilo voltar porque deixei pedacinhos pelo caminho, que nem João e Maria.

Migalhinhas de vida, de ex-amores, de dores, de descobertas, de redescobertas. Migalhinhas de felicidade, de euforia, de soninhos com sorrisos, pedaços inteiros de paz! Foi fácil, depois de tanta coisa, olhar pro lado e voltar.

Nem vou mentir dizendo que não chorei. Mas não vou mentir dizendo que doeu. O que dói um dia só não é dor, é perda. O que me fez feliz alguns dias, é, sim, amor. É! porque eu senti, é! porque veio aqui de dentro e fez cosquinha no coração. É porque é.

E o que é o amor senão dizer: vá! ?

Principalmente, amor por mim.

Mas amor pelo outro também a quem não entendo, mas aceito. Ou, na verdade, até entendo.

Amor pela vida que se faz sem esforço.

Eu aprendi, um dia desses meditando ao nascer do sol, que tudo tem que acontecer naturalmente, sem esforço. Ao contrário do que todos acreditam.

Se for para se esforçar para dar certo, não deu. Se for para se esforçar para acontecer, esqueça. Se for para se esforçar para amar, não é amor.

Amor flui.

Amor clica.

Amor existe.

Sem esforço.

Amor é feito, basicamente, de alegria e paz!

Carol

ps: ui! tô me sentindo nua, vou correr pra pegar a toalha :)

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Postado em junho 25th, 2010

Meu carro rebocado!

Estou eu andando lépida e faceira indo para a academia, o que é algo raro, andar lépida e faceira indo para a academia, quando começo a diminuir o ritmo dos passos… diminuindo, diminuindo… olho para um lado, olho para o outro, dou uma volta em torno de mim mesma, olho pra trás e… NADA! Cadê meu carro que estava estacionado aqui?? Meio sem acreditar continuo andando ao meu destino pensando: opção A eu bebi todas e não me lembro onde parei o carro. Opção B meu carro foi rebocado. Assim mesmo, múltipla escolha na minha cabeça.

A primeira hipótese estava descartada, eu quando bebo volto de táxi. Opção B era a mais provável. Roubado era praticamente impossível! Ninguém em sã consciência de ladrão roubaria um carro 1.0 de duas portas. (pausa para a imaginação) “Vai mermão acelera o carro!!” “Não dáaa, é 1.0 não sobe a ladeira!!” ou “Levanta o banco assim que eu anunciar o assalto para eu sair do carro!!” Não, definitivamente não! Não tinham roubado meu carro! Cadê o carro??
Na esteira correndo-andando eu ainda calma, conversava com o professor sobre a minha idéia de que tinham rebocado o carro. – Mas você está muito calma pra quem não encontrou o carro! – Ué vou fazer o quê? Rebocou, rebocou! Vou lá buscar, ué!
RÁ! Nesse momento, exatamente nesse segundo devia ter aparecido uma tela na minha frente para eu ter a noção do que eu estava falando… ou seja noção zero do que estaria por vir. Cheguei em casa, fui no Google, fui, fui, fui, ok estava lá meu carro! “chegando” em algum pátio que eu ainda não sabia qual era. Tadinho!!
Pois hoje de manhã começou minha saga! Telefonei, perguntei tudo, tirei Xerox 3 vezes de cada documento. Saí com uma pasta debaixo do braço que só faltava ter o comprovante da última votação. Eu estava super decidia a não me estressar! Opa! Super decidida a ser boazinha, fazer cara de gato de botas e sair dirigindo meu fofo 1.0 que ninguém ia roubar. Lá fui eu para a rua dos Andrades no centro da cidade. Sim, preciso dizer que conheço o centro da cidade igual carioca conhece o centro do Recife onde morei por 12 anos.

Desci do metrô fui atrás dessa rua que faz curvas e corta a Presidente Vargas. Hummmm…. Parei no Detran, me mandaram para a porta 7. Uma fila giga, entrei. Logo acima dos atendentes tem um papel que dizia: “Agredir os funcionários ou faltar com o respeito dá 2 anos de prisão blá blá blá” e eu já queria gargalhar daí, super triste que eu não ia ver ninguém pular no balcão e puxar o cara pela gravata – Você já foi na R. dos Andrades? – Não, me perdi, vim perguntar. Onde é? – Atravessa a Presidente Vargas, do outro lado perto do Bobs. -Hummmmmm… No caminho várias carrocinhas vendendo chopp que me diziam: vem cá, vem cá!!
Ok. Fui pro Andrades. Fila. Enquanto aguardava pacientemente minha vez, uma mulher de uns 20 e tantos anos berrou para a mulher: O QUÊ? O Q U Ê? Meu carro não está no sistema? Como não está?! Tá vendo!! Eu quis ir dentro do carro, em cima do reboque, não me deixaram! Meu DEUS! Cadê meu carro??!! – Pegou o celular: Olha fulaninho, aqui só tem IDIOTAS! Eu devia ter ido dentro do carro! – E chegou minha vez. Peguei um papel e “volta para o Detran do outro lado, na R. Presidente Vargas” . Anda anda anda. Caraca e seu eu tivesse problemas de locomoção? Dane-se você!
Entrei no Detran porta 7. – Você tem multa no seu carro? – Não sei (agora é A hora do Gato de Botas!) e ele olhou na internet pra mim e só para mim. Nada Consta! FILA! Número 688. Está em qual? 638. Sistema fora do ar. AH! Mas nada ia abalar minha paz! Sentei, botei o fone de ouvido e…. Opa! Que isso? Pessoas se revoltando com a demora. Uns têm que trabalhar, outros estão em pânico porque não sabem onde está o carro… O povo dizendo que no pátio roubam step, roubam tudo dentro do carro. Chegou minha vez! – Senhora, me dá os documentos. – Depois daqui faço o quê? – Senhora ou eu converso ou faço seu “blablabla”. – Hummm… justo! – enquanto ao meu lado uma menina novinha chorou alto porque não tinha uma certa Xerox após horas de fila. Acabou, espero MAIS um pouco porque na mesma sala alguém vai me chamar pelo nome (uau!) e vai me dar outro papel para eu novamente voltar para o prédio da R. dos Andrades. Peguei! Fui até lá vendo vários chopps pelo caminho…

Chegando lá uma mulher se estrebuchava! Chorando e berrando que precisaaaaava do carro, muito! “pelo amor de Deus alguma coisa!” NADA. Foi embora gritando que tinha vergonha de ser brasileira. Peguei minha outra senha e foi para a outra fila. As pessoas em volta tinham já alguém no banco guardando lugar na fila para pagar a guia! Afinal o banco, a essa hora, já tinha fechado. Minha vez! – A senhora vai tirar o carro hoje do depósito? – Não, não dá tempo de pagar e ir para o Recreio até 18hs. – Entããããão só quando você for retirar o carro que volta aqui! – O depósito abre amanhã, sexta? – Não! Jogo do Brasil! – Quanto tempo dura a partida de futebol na Copa? – Senhora, não abre amanhã. – OK! E sorri.
Desci o prédio, parei na primeira carrocinha e pedi um chopp.