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Postado em maio 21st, 2010

Copacabana – mudanças

Essa “crônica” eu escrevi para mim mesma em 3 de novembro de 2008. Como vou me mudar novamente, tive a necessidade de relê-la. Foi editada porque no meio tinham conteúdos não importantes por agora. Quase uma apologia a Copacabana :D segue:

Estou morando no Rio. Em Copacabana. Viver aqui é querer aproveitar os raios de sol mais do que em qualquer outro lugar onde se trabalhe. Andar por Copacabana é se esbarrar em pessoas o tempo todo. É ter 24h um supermercado aos seus pés. É desviar do mendigo que dorme na sua porta para entrar ou sair de casa, é atravessar a rua correndo, odiar as pessoas que distribuem papeizinhos de propaganda de tudo: de dentistas a sexshop. Na rua, vendem-se bolsas, sapatos, relógios, bugigangas, óculos de sol. Buzinas, ônibus, metrô. A rua amarela de táxis. Passos pelo chão. Pés, pernas, rodas, sobre pedrinhas portuguesas, calçadas largas e cheias de vida. Vitrines, luzes, cheiros, músicas. São tantas informações sobre onde ir e o que fazer que o melhor é sentar num boteco e beber. Informação sobre show, teatro, briga, tiroteio, protesto, trânsito, celebridades.

Respiro fundo o ar poluído e ele faz bem aos meus pulmões. O frio e o calor, a chuva ou o vento, são daqui. São meus, porque eu que escolhi, eu que quis, eu que pari, eu que acreditei, eu que fui atrás, eu que estou feliz no meio desse caos. O meu caos! Os caminhos são outros, os sinais de trânsitos, as prateleiras no supermercado, a distância entre o dedo do meu pé e o armário do banheiro, entre a mão e o interruptor, o tempo do elevador, o tempo do sol na janela.

Tudo novo. Novo que não tenho medo que fique velho. Sinto-me mais nova, mais leve, mais poesia. Como em toda fotografia, tudo sempre pode ficar um pouco melhor. E já está ficando. E depois um pouco “mais” melhor e assim por diante. Sempre. Eu sou inconstante, inquieta. Sou. Mas com o que “já é bom”, minha inquietude é que continue bom e melhore sempre.

Eu não quero o novo pelo novo e nem trocar por trocar. Eu não quero mais, eu não quero muito, eu não quero vários. Eu não gosto de números, eu gosto de cores. Eu quero melhor. Eu quero muito bom. Eu quero rir. Eu quero momentos, lembranças. Fotografias. Ah… andar em Copacabana te faz acreditar que tudo é possível!

Postado em agosto 12th, 2009

O Espontâneo

Eu devo ser meio louca, só pode. Eu não quero saber nada em mínimos detalhes sobre o casamento. Só preciso saber de eventuais surpresas ou escolas de samba que entrem madrugada adentro. Eu não quero saber se a noiva vai ler um papel, se o pai do noivo vai falar ao lado do padre.

Eu quero surpresa!!! Eu quero chegar na hora e pensar “ai caraca e agora??!” Eu quero o inusitado, o diferente, o que me pega de surpresa e me deixa sem saber o que fazer. Eu quero que meu coração acelere com medo de perder a cena hahahahahah!!! :)

Eu preciso saber se vão cair pétalas no meio da cerimônia ou se balões vão voar após o beijo. Preciso me posicionar sim. Mas não precisa me dizer se no meio da valsa você vai dançar um funk, eu vou rir e achar uma loucura enquanto enquadro tudo e clico freneticamente com um sorrisão atrás da máquina.

Eu não quero casamentos ensaiados! Eu quero daminhas descabeladas, noivos com o paletó sujo de pó de arroz, noivas que choram ou sorriem, cortejos onde os padrinhos nem sempre sabem para onde vão. Eu quero casamento de verdade! Eu quero emoções de verdade!

A daminha descabelada é o punctum da foto

A daminha descabelada é o punctum da foto

Eu não brinco mais de Barbie, eu fotografo Noivas de Verdade! A  Barbie noiva era linda! Mas a minha noiva arranca o sapato, se descabela, bebe, samba e dá beijos apaixonados no noivo. O casal CELEBRA!

O Rafael não sabia que ia voar nesse momento!

O Rafael não sabia que ia voar nesse momento!

Eu quero saber se tem alguma foto que a noiva prefere sim!, mas eu não imito foto, nem mesmo as minhas, pelo simples fato de que eu NÃO sei fazer isso. Não consigo. Vou tentar, mas não vai ser igual. Igual, só as fotos que vem nas caixas de brinquedo. Ou vou fazer uma cópia, entenda!

Eu quero noiva louca, feliz pra cacete, noivo apaixonado, casal que quer casar para ficar junto para sempre e não que quer ficar junto porque já está junto parece que para sempre.

Ele não ensaiou ou não me avisou que ia se ajoelhar na hora H!

Ele não ensaiou ou não me avisou que ia se ajoelhar na hora H!

Cena LINDA na chegada ao altar. REAL!

Cena LINDA na chegada ao altar. REAL!

Eu quero fotografar casamentos que a dama não entra e ninguém força ela a entrar. Eu sou do lado das crianças, sempre! Mas daminha berrando não dá! Tira logo e vamos embora! É o imprevisível!

É um vestido que engancha, uma lapela que some, o fechecler que solta… alguém vai me avisar que isso vai acontecer?? Eu pergunto no making of se os pais se falam, são casados ou não, apenas para não falar “ahh! foto junto vai! Que lindo!” e os pais querendo se matar, só por isso. Eu vou perguntando…. e a noiva vai pedindo, pedindo, isso é natural! Vai acontecendo!

esqueceram de me avisar que cairia um raio no casamento da Marise

Esqueceram de me avisar que choveria horrores e iria cair um raio no casamento da Marise

Me peçam fotos sempre, mas não se preocupe em me dar roteiro porque a vida não tem roteiro. Só quero o básico (onde, quando, que horas, etc) o resto é criação!


Postado em julho 29th, 2009

Ser fotógrafa de Casamento é…

Eu me lembro uma vez quando eu tinha uns 19-20 anos que eu estava num carro e vi uma noiva dentro de outro carro. Eu nunca tinha visto uma noiva de perto! A não ser quando eu era criança e dois primos se casaram. E aí eu comecei a gritar no carro: “UMA NOIVA!! UMA NOIVA!!! CHEGA PERTO!!!” Louca, óbvio. Levei um esporro: “Fala baixo, tá maluca!” E me encolhi no carro, quieta com os olhos de Mantena (lembra da SHE-HA??)  pulando pela janela do carro.

Tempão depois, eu já fotografava, já tinha sido monitora e professora de fotojornalismo e introdução a fotografia lá na Federal quando minha amiga Duda me chamou para fazer o casamento da irmã dela. Eu recusei, lógico! Tamanha responsabilidade! Mas ia ter outro fotógrafo… e vai e por favor e eu adoro suas fotos…. e eu fui! E isso tem anos e nunca mais parei.

Duda babando a irmã!

Duda babando a irmã!

Mariana na A. Boa Viagem

Mariana na A. Boa Viagem

E foi assim que eu vi uma noiva LINDA bem de perto! E descobri que ser fotógrafa de casamento é viver em sonhos, é trabalhar em momentos de alegria, de realização, de emoção! Eu fotografo gente feliz, bonita, arrumada, transbordante!!

Mas eu não tenho sábados ou sextas. E quem dá plantão também não tem. Eu, em todos os finais de semana, vou a uma festa! Ouço as melhores músicas (ok, nem sempre!) e estou sempre sabendo das tendências. Mas não danço e nem bebo nessas festas. (Ok, danço, mas só um pouco, não conta).

Uma vez, iniciando minhas férias após uns 20 casamentos seguidos, estafada, estressada, enlouquecida, vi um lençol penduradao num varal e jurei que era um vesido de noiva! Merecidas férias….

Eu conto o ano em finais de semana. Eu sei onde estarei no terceiro sábado de julho de 2010, por exemplo. Eu conto casamento para descansar: faltam 4 casamentos para ir sambar na Lapa. Eu sei histórias de família! Eu sei segredos de noivas! Eu sei o que elas vestem por baixo do vestido! Eu sei a história do casal! É uma delícia!!! Eu pergunto mesmo, quero saber, me conta! Se conheceram como? Quanto tempo? Moram juntos já? Me conta!! Adoro! Eu tenho material para livros em volumes, mas acabo me esquecendo com o tempo.

Com véu ou sem véu? Buquê cascata ou bolinha? sapato, mule ou sandália? Branca? grinalda? Alianças! ADORO!

Casar de dia, final da tarde. À noite. Luz do sol, da sombra, do poste, da lua! LUZ! Igreja, gramado, Sinagoga, nem um nem outro.

Flor, tule e brilhos, perfume, meia, calcinha, branco, bege, vermelho.

Olha a hora! A noiva está pronta, a madrinha não, atrasa! A noiva está pronta, a mãe do noivo não chegou. Atrasa! A noiva está pronta a melhor amiga não chegou, Espera! A noiva está pronta, um protesto fechou a rua…. sacanagem!

Essa é a rotina dos sábados, ou das sextas, ou das sextas e sábados e domingos. É a melhor. Durante a semana é beeem menos glamurosa, bem mais cansativa e chata :)

Quando você estiver num samba às sextas  OU bebendo no muro do Bar Urca aos sábados OU em algum lugar incrível aos finais de semana, saiba: ESTOU TRABALHANDO, ME DIVERTINDO, cansada sim!! Mas bem feliz! E quando a folga vier, algum sábado perdido, avulso, me chamem! Eu vou! Mas se, no meio do caminho, houver uma Igreja e uma noiva estiver entrando, pára! Pára TUDO porque eu quero VER o vestido dela!!!!! :)

Eu.

Eu.