Archive for the ‘Crônicas’ Category

Postado em novembro 22nd, 2010

Pula!

Amiga linda, eu estava deitada, vencendo minha insônia, quando pensei em te escrever. E o texto foi todo se passando, frase a frase, na minha cabeça. Tenho que escrever logo isso antes que eu me esqueça.  Amanhã vou ter mil coisas a fazer e, sim, vai passar batido. Levantei, e cá estou, 2:40 da manhã.

Primeiro, quero agradecer a você por ser quem você é. Uma pessoa que sabe o que quer e não tem preguiça de viver.

Eu tenho nervoso de pessoas que não sabem o que querem! Tem gente que não sabe se quer morar nessa ou naquela cidade, aqui ou ali. Não sabem se querem ficar sozinhos ou acompanhados. Não sabem nem se amam ou não. Se ainda querem ou não uma ex alguma coisa. Não sabem nem o que não querem!

Tenho preguiça de pessoas acomodadas. Que não estão satisfeitas com o trabalho e não fazem nada diferente. Eu tenho preguiça de pessoas que arrastam relações. Tenho preguiça de gente empacada, que deixa a vida levar… só levar… eu tenho muita preguiça de gente com preguiça de vida!

Eu gosto de gente feito você, amiga! E gente como eu também.  Esse negócio de deixar a vida levar só funciona quando tomamos alguma decisão. Aí a vida leva depois para um lugar que não sabemos onde é, mas leva!

Eu gosto de gente feito você! Que é independente, que é inteligente, que é meiga, criativa, sensível e doce. Eu gosto de gente que escolhe, ou “desescolhe”. Eu gosto de gente que muda de sonho. Eu gosto de gente que constrói.

E aí você me diz: “Essa coisa de viver pode doer muito, né? Engraçado é que quem olha pensa que é fácil.” – Sim, todos pensam que tudo é fácil depois que você já fez! Depois que se entrega, que se separa, depois de mudar de cidade, de país, depois que você ganha o Oscar, nossa, que fácil! Ninguém estava perto durante a caminhada.

Pessoas que nem nós, amiga, choram rios. Desidrata! Simplesmente porque temos a consciência do bolo em que estamos envolvidas. As atitudes são tomadas com consciência! E dói! E arde! Mas, sei lá por quê, temos a mania de achar que a vida vai nos levar a um porto seguro. Não é coragem, não é força, não é garra, é simplesmente a doçura e a pueril esperança de que as coisas vão melhorar. E melhoram. Mas não foi a vida que nos levou. Nós que deixamos e fizemos com que ela nos levasse. A gente dá o norte e ela leva.

Meu deus! Quantas pessoas adiam decisões por mil motivos, os mesmos que ignoramos para tomá-las? A melhor frase que chegamos a conclusão sobre nós mesmas, veio na praia: “Não sei ser diferente”. Não sei ser meio, nem morno nem mais ou menos.

E depois de tanta preguiça com tudo, você me vem com essa frase genial, esse pensamento simples demais e tão difícil para acontecer: “Carol, tive exatamente isso que você tá falando: preguiça de gente que se enfia em roubadas tão roubadas, que não sabe pra onde ir, como ir, o que fazer. Gente que se prende nas minúcias da vida: o aluguel, a porra da tv que comprou junto, a cama, o jogo de sofá… e como não querem abrir mão de tudo isso, acabam abrindo mão de si mesmos. Por mais difícil que seja a caminhada, eu juro que não estou nesse grupo.”

Nem eu.

Nunca estivemos.

Não tivemos preguiça de fazer diferente.

MUITO OBRIGADA por existir! MUITO OBRIGADA por VIVER! Não é fácil, mas estou aqui com a mão estendida, agachada, vendo você pular de uma montanha para outra. Você não vai cair. Tem muitas mãos pra te segurar, inclusive a minha.

PULA.

Carol

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Postado em novembro 17th, 2010

crônica

Eu ainda não sei bem a função de publicar meus textos, como eu já descobri a função de publicar minha fotos. Mas ontem algumas pessoas me escreveram agradecendo algumas coisas que escrevi, coisas até bem antigas. O fato é que os textos me deixam muito nua e nem sempre me sinto confortável com essa nudez. Vai mais um:

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Eu descobri! Eu agora sei que o que eu mais temia, não acontece mais, assim, tão facilmente! Eu temia não saber voltar! Eu temia não saber deixar voar! Eu temia me perder na geleia mais uma vez. Mas isso, de fato, não acontece.

É como dirigir, andar de bicicleta, molhar os pés na água, respirar! Passa a fazer parte de você! Eu agora posso muito dizer que sei ir e voltar! E saber isso implica em entender e, principalmente, aceitar sem dor. Que difícil!

Em uma semana eu estava quase-dormindo com um sorriso enorme, daquele que parece que o coração, o fígado, riem junto! A frase era: é só aqui que eu quero estar! É só isso que eu quero agora para mim! E, uma semana depois, a frase era, internamente: vá! “Vá!”. E se foi.

Ele se foi, mas eu não!

Eu voltei, aqui pra dentro, quentinha e sabendo exatamente o caminho a andar! Sabendo exatamente o que fazer, com quem, como, onde e como me sentir. Quem se foi, foi ele e não eu. Voltar é mais difícil do que vê-lo partir e eu voltei, ainda assim, dançante.

É muito, muito, muito bom, daquele “bom” que dá vontade de abrir a boca e sorrir com todos os dentes, perceber que o meu medo de não saber voltar acabou. E não foi porque eu deixei o temor de lado, mas sim porque eu mesma VI que é possível, e, melhor ainda, sem esforço, voltar pra casa! Voltar pra mim. É ir e vir. Sim, eu fui! E só foi tranquilo voltar porque deixei pedacinhos pelo caminho, que nem João e Maria.

Migalhinhas de vida, de ex-amores, de dores, de descobertas, de redescobertas. Migalhinhas de felicidade, de euforia, de soninhos com sorrisos, pedaços inteiros de paz! Foi fácil, depois de tanta coisa, olhar pro lado e voltar.

Nem vou mentir dizendo que não chorei. Mas não vou mentir dizendo que doeu. O que dói um dia só não é dor, é perda. O que me fez feliz alguns dias, é, sim, amor. É! porque eu senti, é! porque veio aqui de dentro e fez cosquinha no coração. É porque é.

E o que é o amor senão dizer: vá! ?

Principalmente, amor por mim.

Mas amor pelo outro também a quem não entendo, mas aceito. Ou, na verdade, até entendo.

Amor pela vida que se faz sem esforço.

Eu aprendi, um dia desses meditando ao nascer do sol, que tudo tem que acontecer naturalmente, sem esforço. Ao contrário do que todos acreditam.

Se for para se esforçar para dar certo, não deu. Se for para se esforçar para acontecer, esqueça. Se for para se esforçar para amar, não é amor.

Amor flui.

Amor clica.

Amor existe.

Sem esforço.

Amor é feito, basicamente, de alegria e paz!

Carol

ps: ui! tô me sentindo nua, vou correr pra pegar a toalha :)

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Postado em junho 25th, 2010

Meu carro rebocado!

Estou eu andando lépida e faceira indo para a academia, o que é algo raro, andar lépida e faceira indo para a academia, quando começo a diminuir o ritmo dos passos… diminuindo, diminuindo… olho para um lado, olho para o outro, dou uma volta em torno de mim mesma, olho pra trás e… NADA! Cadê meu carro que estava estacionado aqui?? Meio sem acreditar continuo andando ao meu destino pensando: opção A eu bebi todas e não me lembro onde parei o carro. Opção B meu carro foi rebocado. Assim mesmo, múltipla escolha na minha cabeça.

A primeira hipótese estava descartada, eu quando bebo volto de táxi. Opção B era a mais provável. Roubado era praticamente impossível! Ninguém em sã consciência de ladrão roubaria um carro 1.0 de duas portas. (pausa para a imaginação) “Vai mermão acelera o carro!!” “Não dáaa, é 1.0 não sobe a ladeira!!” ou “Levanta o banco assim que eu anunciar o assalto para eu sair do carro!!” Não, definitivamente não! Não tinham roubado meu carro! Cadê o carro??
Na esteira correndo-andando eu ainda calma, conversava com o professor sobre a minha idéia de que tinham rebocado o carro. – Mas você está muito calma pra quem não encontrou o carro! – Ué vou fazer o quê? Rebocou, rebocou! Vou lá buscar, ué!
RÁ! Nesse momento, exatamente nesse segundo devia ter aparecido uma tela na minha frente para eu ter a noção do que eu estava falando… ou seja noção zero do que estaria por vir. Cheguei em casa, fui no Google, fui, fui, fui, ok estava lá meu carro! “chegando” em algum pátio que eu ainda não sabia qual era. Tadinho!!
Pois hoje de manhã começou minha saga! Telefonei, perguntei tudo, tirei Xerox 3 vezes de cada documento. Saí com uma pasta debaixo do braço que só faltava ter o comprovante da última votação. Eu estava super decidia a não me estressar! Opa! Super decidida a ser boazinha, fazer cara de gato de botas e sair dirigindo meu fofo 1.0 que ninguém ia roubar. Lá fui eu para a rua dos Andrades no centro da cidade. Sim, preciso dizer que conheço o centro da cidade igual carioca conhece o centro do Recife onde morei por 12 anos.

Desci do metrô fui atrás dessa rua que faz curvas e corta a Presidente Vargas. Hummmm…. Parei no Detran, me mandaram para a porta 7. Uma fila giga, entrei. Logo acima dos atendentes tem um papel que dizia: “Agredir os funcionários ou faltar com o respeito dá 2 anos de prisão blá blá blá” e eu já queria gargalhar daí, super triste que eu não ia ver ninguém pular no balcão e puxar o cara pela gravata – Você já foi na R. dos Andrades? – Não, me perdi, vim perguntar. Onde é? – Atravessa a Presidente Vargas, do outro lado perto do Bobs. -Hummmmmm… No caminho várias carrocinhas vendendo chopp que me diziam: vem cá, vem cá!!
Ok. Fui pro Andrades. Fila. Enquanto aguardava pacientemente minha vez, uma mulher de uns 20 e tantos anos berrou para a mulher: O QUÊ? O Q U Ê? Meu carro não está no sistema? Como não está?! Tá vendo!! Eu quis ir dentro do carro, em cima do reboque, não me deixaram! Meu DEUS! Cadê meu carro??!! – Pegou o celular: Olha fulaninho, aqui só tem IDIOTAS! Eu devia ter ido dentro do carro! – E chegou minha vez. Peguei um papel e “volta para o Detran do outro lado, na R. Presidente Vargas” . Anda anda anda. Caraca e seu eu tivesse problemas de locomoção? Dane-se você!
Entrei no Detran porta 7. – Você tem multa no seu carro? – Não sei (agora é A hora do Gato de Botas!) e ele olhou na internet pra mim e só para mim. Nada Consta! FILA! Número 688. Está em qual? 638. Sistema fora do ar. AH! Mas nada ia abalar minha paz! Sentei, botei o fone de ouvido e…. Opa! Que isso? Pessoas se revoltando com a demora. Uns têm que trabalhar, outros estão em pânico porque não sabem onde está o carro… O povo dizendo que no pátio roubam step, roubam tudo dentro do carro. Chegou minha vez! – Senhora, me dá os documentos. – Depois daqui faço o quê? – Senhora ou eu converso ou faço seu “blablabla”. – Hummm… justo! – enquanto ao meu lado uma menina novinha chorou alto porque não tinha uma certa Xerox após horas de fila. Acabou, espero MAIS um pouco porque na mesma sala alguém vai me chamar pelo nome (uau!) e vai me dar outro papel para eu novamente voltar para o prédio da R. dos Andrades. Peguei! Fui até lá vendo vários chopps pelo caminho…

Chegando lá uma mulher se estrebuchava! Chorando e berrando que precisaaaaava do carro, muito! “pelo amor de Deus alguma coisa!” NADA. Foi embora gritando que tinha vergonha de ser brasileira. Peguei minha outra senha e foi para a outra fila. As pessoas em volta tinham já alguém no banco guardando lugar na fila para pagar a guia! Afinal o banco, a essa hora, já tinha fechado. Minha vez! – A senhora vai tirar o carro hoje do depósito? – Não, não dá tempo de pagar e ir para o Recreio até 18hs. – Entããããão só quando você for retirar o carro que volta aqui! – O depósito abre amanhã, sexta? – Não! Jogo do Brasil! – Quanto tempo dura a partida de futebol na Copa? – Senhora, não abre amanhã. – OK! E sorri.
Desci o prédio, parei na primeira carrocinha e pedi um chopp.

Postado em maio 27th, 2010

Despedindo de um amigo

Baruca
Baruca

Como é difícil me despedir de um amigo. Está doendo agora aqui no peito… Eu só consigo, no momento, me lembrar das coisas boas. Que bom isso! Da sua gargalhada alta, do gesto de colocar a mão na cabeça para dizer uma frase que para você “é óbvia!” Do olho de cachorro, do olho embriagado.

E bem mais difícil do que brigar. É bem mais difícil do que sorrir. É bem mais difícil do que aceitar. Despedir.

Eu me lembro das havaianas coloridas que vieram numa caixa de presente com um bilhete “obrigado por colorir a minha vida”. Eu me lembro de fazer quiche e você se esforçar para comer quando nem eu mesma consegui. Me lembro das garrafas de vinho derrubadas, vodkas, madrugadas. Muitas conversas na rede, no colchão da sala. Pensamentos sobre a existência, sobre os medos, as inseguranças… e como eu chorei hahahaha! Sóbria, bêbada, feliz! E como vivenciamos as insônias, os domingos, as segundas.

Você viu meu mau humor, minha tristeza, minha falta de paciência. Você me viu gargalhar, contar piadas, contar causos, dançar na sala, dançar e nem me lembrar. Você viu meus fantasmas, meu medo, minhas companhias invisíveis ou não. Conheceu minhas amigas.

Me viu trabalhando, dormindo, vomitando, de pé quebrado, cansada, disposta. Contei segredos, apontei amores. Nem sempre fácil porque o que eu ouvia daí muitas vezes doía mais do que o que eu já sentia heheheheh, mas eu insisti!

Eu não comprei elefantes nem ganhei vestidos. Eu aluguei um apartamento e ganhei um amigo. Um amigo que me fez confidente, que me fez companheira, que me fez amiga. Que vinha conversar, que ousava me ouvir mesmo tendo opiniões em muitas vezes distintas. E às vezes até concordava, rapaz!

Eu falei pra caralho. Falei mesmo. E ouvi pra caralho, ouvi mesmo. Lembrei agora do show do Alceu Valença. Você sabe dançar? Nem eu! Dança aqui rapidinho e vamos beber!! E vamos beber. E vamos beber. E vamos falar e vamos beber. Até que eu consegui uma foto sua sorrindo no Baruca; Baruca… eu me lembro do dia com preguiça de dizer BAR URCA falei: bora pro Baruca?? E ficou. Lembro também de “vamos arrumar um passeio que não tenha cerveja e nem calor”. E de sair da Lapa quando o bar estava sendo varrido. Quanto assunto!

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto… a convivência acaba com casamentos, o que fará com a amizade… o que fará com a amizade…. Um dia acordei falando grego e ouvindo alemão. Um dia ouvi russo e respondi em chinês. Um dia gritei árabe e ouvi um berro em uma língua que não entendi.

Um dia não falávamos mais.
E as garrafas secaram. As insônias foram sós. Os assuntos morreram no ar. Os assuntos, aliás, nem mais existiam. Tenho certeza que em 5 minutos de conversa português com português nos reconheceríamos imediatamente. Mas receio não seja mais possível. Não agora.
Sinto saudades e aceito. Sinto tristeza e aceito. Sinto saudades.
Saldo geral: positivo.
Obrigada irmão, amo você.
Desculpa irmão, eu sou assim e assado.
Eu aceito minhas limitações, as suas e aceito nossa despedida.
Obrigada com a alma!

18 de maio de 2010

sandalia