Crônicas

Postado em janeiro 2nd, 2013

crônica sobre a ida

Ontem morreu, de repente, a mãe de uma noiva que eu fotografei. Apesar do pouco contato ao vivo, trocamos alguns telefonemas, eu gostava dela e do seu sorriso fechando os olhinhos. Perder uma mãe dia 1 de janeiro não é fácil. Não é fácil em dia nenhum, mas dia 1 é dia de recomeço, de esperança, dia de imaginar como será o ano todo, como uma tela em branco, um caderno com pauta limpinha. Um ano pronto pra ser rabiscado, colorido, escrito, rasgado, sentido.

E de novo venho eu com esses sentimentos clichés de vida e finitude. Mas é porque eu acho mesmo que viver é uma bênção. Eu não tenho vocação pra ser planta. Eu tenho vocação pra chorar sim, sofro que nem uma cachorra, vou no fundo do poço e no dia seguinte estou lá, saltitando pela rua celebrando o sol quente que aparece entre as folhas das árvores. Eu não sou feliz o tempo inteiro e tenho pavor de gente assim. Mas eu tenho a mania depensar em tudo que acontece, uma sensibilidade assim mesmo, “de ser sensível à…” Eu sou sensível à vida. Eu sou sensível à morte. Eu sou sensível à paixão. Eu sou sensível aos gestos de amigos. Eu sou sensível à minha família. Eu sou sensível à dor do outro. E ao riso também.

Não dá tempo de NÃO fazer. Eu não tenho tempo para NÃO ser. Eu não tenho tempo para NÃO sentir, não existir, não ser EU mesma na totalidade que meu coração aguenta ser. E isso significa falar, sentir, se expressar, só assim eu me sinto viva e existindo. Não adianta só viajar, só dançar, só beber, só ganhar dinheiro, só fotografar, se ali embaixo de tudo não estiver um pilar gigante do SENTIR. E eu sinto. MUITO. Sinto muito pela minha noiva que perdeu a mãe ontem. Sinto muito pelos que não estiveram com suas famílias nos momentos de amor. Sinto muita alegria em ver pessoas queridas felizes e realizando, sinto paixão por um homem, sinto muita gratidão pelas pessoas que me amam e demonstram e me cercam, sinto muita alegria em ver uma estrelinha perto da lua.

Eu sinto muito muita coisa. E eu falo, eu expresso, eu digo, eu coloco uma bandeira na janela da sala. Sabe por quê? Porque estou viva. Porque o que eu sinto é meu, é mutável, é efêmero assim como tudo. Jajá passa, jajá muda. E meus sentimentos não me aprisionam, meu querer não me envelhece, meu amor não caduca. O que eu sinto é meu. Eu amo você, mas o amor que vem é de mim, é meu. Eu me alegro com com as coisas simples, mas é uma alegria minha e não da “coisa simples”. E por aí vai…

Viver é sentir. E sentir sem ninguém saber não tem a menor graça. É tanto sentimento que ele transborda, alguém precisa compartilhar.

Lilian, querida, todo o meu sentimento pra você. Que o tempo seja mais amigo e passe rápido, que as boas lembranças permaneçam, que as fotografias te tragam sorrisos e que a vida tenha valido à pena pra ela. Muita luz e um AMOR GIGANTE pra consolar seu coração.

Carol

_______________________________

 

 

 

Postado em setembro 5th, 2012

Os cacos e o coração

Nesses últimos dias eu recebi e-mails ou mensagens de pessoas que foram tocadas, de uma forma ou de outra, por coisas que escrevi. Ou fotografei. E isso me surpreende, porque eu escrevo pra mim. Mas se toca, se faz pensar, se ajuda, fiquei com vontade de postar mais uma crônica.

Não é nova, mas não é velha. Foi ouvindo amigas que me lembrei dela.

Mais uma vez, nua.

Carol

__________

E o que é recolher os cacos?
É abaixar-se sobre suas ilusões, expectativas, sonhos e até certezas, ajoelhar-se abrir os braços e recolher-se do chão.
Pedacinho por pedacinho. Farpas, cacos. Junta com as mãos, pega com os dedos, um a um.
Faz um punhado, como quem pega água no mar, e enfia de volta no coração porque o que é dali, merece ficar ali e não espalhado pelos pés.

Recolher os cacos é sorrir porque se quebrou novamente. Sorrir porque você tentou novamente. Acreditou novamente. A intensidade, a magia, a beleza da vida é essa. É ter coração para se transformar em cacos e cacos que se acoplam no coração novamente, só porque eles fazem parte dele. Cacos, coração, tudo uma coisa só. Uma hora cacos uma hora coração. Tudo amor.

E segue-se com o coração e cacos. Segue-se saltitando porque me foi possível recolher meus pedaços. Às vezes não é.
Abaixei, recolhi, juntei e pus de volta no lugar. Sozinha. Dessa vez foi possível. Dessa vez não precisei de outras mãos, nem de outros corações pegando para si alguns pedacinhos meus, não precisei de muito tempo e nem de muitas lágrimas. Não por nada… só porque aprendi que o lugar dos meus cacos, é mesmo, dentro do meu coração. Só por isso mesmo.

Levantei, esfreguei as mãos para limpar a poeira do chão e caminhei. Caminhei com a sensação do novo, mesmo que fosse de novo. Caminhei com o coração aceleradinho e um leve sorriso de quem… de quem conseguiu colocar no peito um pedaço grande de si!

Ufa!

________________

Moral da história, depois que se aprende a recolher-se do chão, é fácil se jogar de novo.

Carol :)

 

Postado em julho 22nd, 2012

Minas Gerais

Foi uma viagem pra dentro da alma, da minha, da dela, cada uma na sua, cada uma na da outra. Se metendo, sorrindo, sonhando juntas, dando opiniões carinhosos e sinceras, sobre a VIDA, claro!

Sobre a VIDA, sobre os SONHOS, sobre a POESIA, sobre a ALEGRIA, sobre os AMORES, as DORES, os enquadramentos que fazemos daquilo que a vida nos traz.

Na roça. Sem internet. Sem celular. Com frio, com vinho, com estrela, com gargalhadas e polaroids. E ali pode-se beber e rir e chorar sem ter medo de pegar o telefone ou a internet. Não tem mesmo :)

PODE TUDO.

E no meio do caminho paramos e duas crianças-mulheres descem do carro loucas e apaixonadas pela VIDA querendo brincar na natureza. Brincar de viver!

A estrada para mim e para ela tem um significado especial. É o caminho, é aonde estamos agora! Talvez mais divertida do que chegar ao destino final!

Porque a estrada nada mais é do que o caminho para a Travessia. É a graça, o tempero, a cor e o cheiro dessa Travessia!

E não tem um buraco que a gente não enxergue a LUZ. Não tem um beco que a gente não queira ver o que tem do lado de lá. E não tem escuridão que nos faça desistir de ATRAVESSAR.

E essa menina-mulher-marina é um algodão doce em forma de pessoa, inclusive rosa :) ruiva!  Tentando a cada dia ser uma PESSOA melhor, tentando acertar e compreender e não quer perder nenhuma oportunidade para crescer, se tornar e atravessar a vida de forma mais leve e criativa.

Vá menina!

Vá para sua primeira grande TRAVESSIA de dar a volta ao MUNDO (literalmente)! Orgulho enorme de você!

- Você queria ser uma pessoa menos forte, Carol?

- Eu? Não! Não posso, ué!

e rimos! somos assim! A gente faz o que é para ser feito, mas sorrindo, mas saltitando!

VOA!

Minas Gerais, julho de 2012.

Para Marina, com o meu coração.

Carol

_____________________________

Postado em maio 31st, 2012

O que te move?

O que te move?

O que te faz levantar da cama todos os dias?

O que te faz sorrir simplesmente por existir?

responda. pra si. anote.

O que você sonhava ser quando você crescesse e você cresceu?. Não, eu não acho que se deva perseguir sonhos até porque eu não gosto de perseguições eu gosto de facilidade. Se é fácil e funciona eu quero.

Eu acho mesmo que os sonhos todos foram feitos para serem abandonados. Jura?! Uhum. Os que a gente passa a VIDA atrás deles, sim. Eu quero sonhos que eu acredite e que eu mude e que eu reinvente. E que eu realize, na medida do possível.

O que você já quis MUITO e hoje não faz mais sentido querer?

O que você achou que era a SUA VIDA e hoje descobriu que… Rá! é sim muito possível e divertido viver sem isso?

Abandone os sonhos velhos com teias de aranha.

Eu sou bem agarrada nas coisas em que eu acredito, mas minhas crenças não são fixas, elas fluem, elas dançam.

Eu só quero o que faz meu coração vibrar. Eu só quero o que eu for merecedora. Eu só quero o que eu preciso, menos não. Mais, quem sabe.

Acredita na sua crença! Queira o seu querer! Deseje seu desejo! Mas faz por onde. ahhhh…. sim, tem que fazer por onde. Senão, a crença fica velha, o desejo apodrece, o querer desbota e fica tudo bem feio aí ó, dentro de você!

A vida é bem, bem maior do que o nosso coração.

Expandir.